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Justiça a Sevilha - A DS/CE não esquece

3, outubro, 2018

NUNCA deixaremos de reiterar o reconhecimento da coragem e idealismo dos colegas vitimados no exercício funcional em defesa do interesse público. Trata-se de um gesto simbólico de resistência contra a impunidade dos facínoras que os mataram, feriram e ameaçaram seus familiares.

Segundo a Polícia Federal, o crime foi motivado pelo fato de a vítima haver sido um servidor público incorruptível, que estava próximo de desvendar um grande e milionário esquema de sonegação fiscal.

Antônio Sevilha era um desses típicos Auditores-Fiscais a quem Raimundo Faoro, um dos principais pensadores da sociedade brasileira, denominava de “preciosos fiscais”, a impedir que a coisa pública fosse corrompida ou manipulada de forma patrimonialista, por interesses privados inconfessáveis, contrariando o interesse público, nacional e da sociedade brasileira.

O nosso entendimento é o de que o silêncio e a ausência da lembrança das vítimas são, além de uma falta de respeito ao sacrifício dos nossos colegas vitimados e ao sofrimento de seus familiares, também um grande estímulo aos famigerados mandantes e seus matadores, quadrilhas e organizações criminosas.

Registre-se à Administração Pública que a esta cabe zelar e desenvolver mecanismos para a máxima proteção dos servidores sob sua jurisdição. A omissão quanto à gestão de riscos, à promoção de medidas preventivas e assistenciais, quaisquer que sejam, bem como a omissão quanto ao impulso oficial do processo legislativo à criação de normas com essa finalidade protetiva, resultam em postura que, em essência, concorre para vulnerar seus agentes públicos e seu papel de Estado, diante de crimes desse jaez.

Ainda, devemos abrir caminho junto à União em busca do reconhecimento de garantias e proteção efetivas às famílias dos que foram mortos no exercício e cumprimento do Dever.

Uma coisa é certa: se as vozes silenciadas não se fizerem ouvir, primeiramente, entre seus próprios pares, aí sim estaremos incentivando a destruição, não apenas da memória dos que tombaram ou foram atingidos no cumprimento do dever, mas da capacidade de prevenir e proteger o exercício funcional dos servidores.

Resgatar a Memória dos Colegas que tombaram no cumprimento do dever é igual a afirmar o interesse público da RF, do fortalecimento do Estado e da defesa da Sociedade como um todo. E, sobretudo, o devido e merecido respeito ao sagrado direito de um grupo de vítimas e seus familiares não ter que pagar o tributo da impunidade aos seus algozes.

Os depoimentos do colega sobrevivente José de Jesus Ferreira, de sua filha, e da esposa do colega assassinado Antonio Sevilha, a Senhora Mariângela Gasparro Sevilha, dentre tantos outros, são uma forma de recontar a verdadeira história que mora do outro lado dos horrores da violência dos matadores, a mando de suas quadrilhas.

A Delegacia Sindical do Ceará não esquece.

A nossa ação sindical sempre se pautou pelo comprometimento no limite das nossas forças e empenho, com vistas a não deixar que nenhuma omissão ou indiferença beneficie o ímpeto e a audácia dos criminosos.

Aos Familiares de Antonio Sevilha, a nossa lembrança e o registro de que não nos esquecemos e estaremos sempre empenhados na busca do acolhimento às demandas da causa do saudoso e nobre colega.

Fortaleza, 29 de setembro de 2018.