Além de sindicalistas, especialistas defendem correção da tabela do IR
3, fevereiro, 2011O pedido dos sindicatos ao Governo de correção da tabela do Imposto de Renda está correto, na avaliação de especialistas, que consideram a correção necessária e uma obrigação do Estado.
Para o especialista em finanças públicas e professor da UnB (Universidade de Brasília), Roberto Pscitelli, a correção é necessária para evitar que a tributação absorva o reajuste concedido ao salário mínimo. "O Fisco abarca uma parcela daquilo que você não pagava de imposto. Não é possível que no Brasil a gente ainda não tenha institucionalizado a correção da tabela", disse, de acordo com a Agência Brasil.
O advogado tributarista Paulo Siqueira também defende a correção da tabela e reforça que essa é uma obrigação do Estado. "É preciso corrigir os valores básicos. Se aquele valor fica sem a devida correção, os salários aumentam, mas o poder aquisitivo continua o mesmo. É indispensável que isso ocorra", disse, ainda segundo a Agência.
Para Siqueira, o aumento da tributação e o congelamento da tabela são caracterizados como ato de confisco, "porque está atingindo uma faixa de contribuintes que não podem pagar a quantidade de impostos cobrados".
Correção sem consenso
Na última semana, representantes dos trabalhadores se reuniram com o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, para negociar, dentre outros temas, a correção da tabela do Imposto de Renda. Os sindicalistas pedem uma correção de 6,46% e o ministro sinalizou um percentual de 4,5%.
Contudo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou que o Governo não estuda o reajuste da tabela. A afirmação causou reação entre os sindicalistas. A CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), UGT (União Geral dos Trabalhadores), CUT (Central Única dos Trabalhadores) e Força Sindical repudiaram a afirmação de Mantega.
Para a Central, o ministro não deveria opinar a respeito da correção uma vez que não está incumbido das negociações. Para o presidente da UGT, Ricardo Patah, está claro que a correção será feita, independentemente da opinião de Mantega. O presidente da CUT, Arthur Henrique, foi mais além. "Se o governo federal não corrigir a tabela do imposto de renda, isso vai equivaler à apropriação indébita pela Receita Federal dos recursos dos trabalhadores", disse, por meio de nota.
A Força Sindical classificou a afirmação do ministro como "irônica". "Ao negar o estudo para corrigir a tabela do Imposto de Renda, o ministro menosprezou a importância do diálogo democrático estabelecido entre as Centrais Sindicais e o ministro-chefe da Secretaria-Geral da República, Gilberto Carvalho, em reunião realizada no Palácio do Planalto a pedido da presidente Dilma", disse o presidente da entidade, Paulo Pereira da Silva.
Reunião
Além da correção, a reunião da última semana também discutiu o reajuste do salário mínimo e dos benefícios para os aposentados. Os sincalistas querem um mínimo a R$ 580, contra os R$ 545 já aprovados pelo Governo, e um reajuste de 10% para os benefícios.
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