Centrais sindicais se contrapõem a ajuste fiscal proposto pelo FMI
31, janeiro, 2011Em notícia publicada no Jornal Valor Econômico da última sexta-feira (28/1), o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu para cima as suas projeções para o déficit nominal do Brasil e declarou-se cético sobre as chances de o governo cumprir a sua meta de superávit fiscal de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) estabelecida para este ano.
A deterioração nas contas fiscais do Brasil é particularmente pronunciada, e o governo deverá descumprir sua meta fiscal (superávit primário de cerca de 3% do PIB) com uma larga margem, afirmou o FMI, que divulgou ontem uma nota de seis páginas que atualiza as projeções do Monitor Fiscal.
O Monitor Fiscal é um documento criado pelo Fundo Monetário no ano passado com o objetivo imediato de vigiar economias desenvolvidas com fragilidades fiscais mais pronunciadas, como os países da Europa e os Estados Unidos. Mas, no documento divulgado recentemente, o FMI diz que alguns países emergentes enfraqueceram sua posição fiscal, quando deveriam fazer o contrário, face ao ambiente de fortes fluxos de capitais, superaquecimento de suas economias e risco de contágio das economias desenvolvidas. Não acho que haja um risco imediato para o Brasil, afirmou o diretor do departamento de assuntos fiscais do FMI, Carlo Cottarelli. Mas existe uma preocupação com o médio prazo.
Em contraposição, as centrais sindicais criticam duramente as pressões do FMI, das classes dominantes e da mídia, para que o governo promova um ajuste fiscal que, em sua opinião, é o caminho mais curto para o país deixar de crescer e entrar em recessão. Para os sindicalistas, é preciso resolver os grandes problemas nacionais na ótica da soberania nacional, da democracia e do avanço social.
Como medidas econômicas imediatas, propõem-se o estabelecimento de limites e prazos para a entrada e saída de capitais, mais precisamente o controle dos fluxos de capitais; a adoção de algum controle nas remessas de lucros e dividendos para o exterior; a redução da taxa real de juros; o aumento da taxa de investimentos; a elevação real do salário mínimo e o fomento ao consumo de massas. O entendimento é que se essas medidas não forem tomadas, o Brasil será sempre atrativo para os especuladores e não sairá do círculo vicioso e perverso do combate à inflação com juros altos e câmbio valorizado.
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