Envie para um amigo



    Fale com a Diretoria

    Tem alguma dúvida? Precisa saber sobre alguma demanda como filiado? Quer contribuir com sugestões, ideias ou críticas?

    Envie uma mensagem para a DS Ceará. Queremos ouvir você!




      CINEMA É (MAIS QUE) A MAIOR DIVERSÃO - Coluna nº 10

      20, outubro, 2010

      2º Aniversário:

      Este mês a coluna comemora dois anos e, nessa oportunidade, gostaria de agradecer as palavras de carinho e de estímulo dos leitores, que me encorajam a prosseguir nessa empreitada.

      Espero continuar tendo o privilégio de contribuir para a página de cultura de nossos informativos por muito mais tempo. Permaneço aguardando críticas e sugestões dos leitores, visando aperfeiçoar este espaço.

                                                                 Um abraço,

      Luis Nóbrega
                  ( nobregaluis@ig.com.br )

       

       

      Filmes Premiados em Festivais - II

      Palma de Ouro

       

       

       

       

      A Palma de Ouro é o prêmio de maior prestígio do Festival de Cinema de Cannes, entregue desde o ano de 1955 ao filme vencedor do Festival. A escolha anual é feita por um júri composto de profissionais internacionais ligados ao cinema, entre filmes inscritos de diversas partes do mundo, e se realiza durante o mês de maio na cidade de Cannes, na Riviera francesa.

      Alguns dos mais notáveis diretores da história do cinema já tiveram seus filmes premiados em oportunidades diferentes, entre eles Federico Fellini, Luchino Visconti, Francis Ford Coppola, Mike Leigh, Claude Lelouch, Akira Kurosawa e Roman Polanski.

      Sendo um dos mais importantes e prestigiados prêmios de cinema do mundo, a Palma de Ouro foi atribuída pela primeira vez ao filme norte-americano Marty, de Delbert Mann. Seu maior diferencial em relação à premiação do oscar é o ecletismo na composição do júri, o que assegura, em princípio, uma predominância da escolha movida pela qualidade técnica e artística da obra, independentemente de seu país de origem.

      Como na coluna anterior, relaciono, a seguir, os filmes vencedores da Palma de Ouro dos anos 2000, com os seus títulos original e em português, diretor e país de origem.

      Ao lado do título em português, indico a minha avaliação pessoal para os filmes premiados, dentre os que assisti (* = Ruim; ** = Regular; *** = Bom; **** = Ótimo; ***** = Excelente).

       

      Ano

      Título Original (Diretor)

      Título em Portugues (Brasil)

      País de Origem

      2010

      Lung Boonmee raluek chat (Apichatpong Weerasethaku)

       

      Tailândia

      2009

      Das weiße Band (Michael Haneke) A Fita Branca Áustria

      2008

      Entre les Murs (Lauren Cantet) Entre os Muros da Escola*** França

      2007

      4 luni, 3 săptămâni şi 2 zile (Cristian Mungiu) 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias *** Romênia

      2006

      The Wind That Shakes the Barley (Ken Loach) Ventos da Liberdade Irlanda

      2005

      L'enfant (Luc e Jean-Pierre Dardenne) A Criança *** Bélgica

      2004

      Fahrenheit 9/11 (Michael Moore) Fahrenheit 11 de Setembro *** Estados Unidos

      2003

      Elephant (Gus Van Sant) Elefante*** Estados Unidos

      2002

      The Pianist (Roman Polanski) O Pianista *** Polônia

      2001

      La stanza del figlio (Nanni Moretti) O Quarto do Filho **** Itália

      2000

      Dancer in the Dark (Lars von Trier) Dançando no Escuro **** Dinamarca

      DOIS PESOS E ... DUAS BIOGRAFIAS

      “O fracasso do filme ‘Lula, O Filho do Brasil’ já é um sucesso internacional”. (Reinaldo Azevedo – Blogueiro da Revista Veja).

       

       

       

       

      É inegável a importância de Nélson Mandela para a história, particularmente na sua luta contra as injustiças sociais que o regime do apartheid na África do Sul impunha à maioria negra do país.

      Sua chegada ao poder se cercou de enorme expectativa entre a população de excluídos e, se constituiu em um avanço em relação ao regime anterior, ele pouco fez para mudar as arcaicas estruturas sociais daquela nação, em parte, pela necessidade de seu governo ter que fazer diversas alianças com o setor econômico e com expoentes políticos do antigo regime, em nome da governabilidade.

      Seus críticos o acusam de, ao se exceder nas concessões, haver se desfigurado como o grande líder que se anunciava, terminando por ser cooptado pelas forças reacionárias que continuaram dando as cartas no novo governo.

      Mandela, hoje com 92 aos, virou mito e sua vida já foi objeto de diversos livros e filmes, alguns, verdadeiras superproduções multinacionais que levaram milhões de expectadores aos cinemas, reforçando a sua imagem de super-herói, tão valorizada na nossa sociedade do espetáculo. Alguns dos títulos mais recentes são:

      Em Minha Terra (EUA, Irlanda, África do Sul, 2004), de John Boorman;
      Mandela - Luta pela Liberdade (Alemanha, França, Bélgica, África do Sul, Itália, Inglaterra, Luxemburgo, 2007), de Bille August;
      Invictus (EUA, 2009), de Clint Eastwood.

      Lula, O Filho do Brasil, de Fábio Barreto, ao ser lançado, no final de 2009, além de sofrer uma censura generalizada da grande imprensa (principalmente, a paulista), acusado de conotação eleitoreira, foi impiedosamente massacrado pela crítica especializada, que, talvez para se vingar do pretenso dividendo político que o filme traria para a candidata do governo, não encontrou nele qualquer qualidade.

      Esse fato afastou muitas pessoas da obra, que pode ser considerada um fracasso de público (comemorado por “jornalistas” da estirpe de Reinaldo Azevedo, da Veja, conforme comentário acima), especialmente quando comparada aos bem-sucedidos Tropa(s) de Elite, Cidade de Deus, Meu Nome não é Johnny e Chico Xavier, entre outros títulos nacionais, notadamente os produzidos e/ou distribuídos pela Globo Filmes.

      Vencendo o preconceito, vi, recentemente, o filme e posso assegurar que, se não é uma obra-prima, em termos artísticos, está bem acima da média da produção nacional; a história, em si, é comovente, a direção é segura e a interpretação magistral de Glória Pires, como a mãe do protagonista, é o ponto alto do filme.

      A viagem em “pau-de-arara” da família de Lula, do interior de Pernambuco, para São Paulo, faz lembrar a saga retratada em “Triste Partida”, de Patativa do Assaré, imortalizada na voz de Luiz Gonzaga; provavelmente por faltar-lhes sensibilidade, os paulistas não puderam (ou, simplesmente, não quiseram) compreender essa história, tão cara a nós, nordestinos.

      Vale a pena ver.

      Três curiosidades: 1) lamentavelmente, Fábio Barreto, o diretor, se acha em coma profundo, desde dezembro de 2009, após sofrer um acidente de carro no Rio de Janeiro, quando se dirigia ao aeroporto para viajar a Teresina, onde lançaria o filme; 2. Lula, O Filho do Brasil foi indicado para representar o País na premiação do oscar de 2011; 3. é a segunda vez que Barreto concorre ao prêmio; a primeira, foi em 1996, com O Quatrilho (também estrelado por Glória Pires), que chegou entre os cinco concorrentes ao título de melhor filme estrangeiro; daquela vez, foi muito festejado por essa mesma imprensa que agora o escarnece.

      Uma Cena Inesquecível.

      Retomando o tema da coluna anterior, destaco mais uma “cena inesquecível” de filmes que me marcaram:

      Zorba, o Grego, de Michael Cacoyannis - neste magnífico filme greco-americano de 1964, destaco dois momentos extremamente marcantes: primeiro, a cena da agonia e morte da personagem vivida pela atriz Lila Kedrova, uma refinada prostituta francesa aposentada perdida em primitivo lugarejo na ilha grega de Creta: acocoradas em volta da cama da moribunda, aguardando apenas o seu suspiro final, velhas carpideiras preparam-se para o saque aos pertences da casa sem herdeiros; ao final do filme, a sua cena mais antológica: após o espetacular fracasso do projeto de engenharia que escoaria a madeira do alto da montanha para as proximidades da praia, Zorba (Anthony Quinn) e seu patrão, o fleumático escritor inglês Basil, que pretendia ganhar dinheiro na ilha (Alan Bates), comentam o desastre na inauguração da engenhoca, e desatam a rir; em seguida, Basil pede a Zorba que lhe ensine a dançar (poderia se dizer, a viver): aí, entra a belíssima música-tema do filme, que vai sendo acompanhada pela cadência dos passos dos dançarinos: é a celebração da vida penetrando em nossos sentidos (ver em http://www.youtube.com/watch?v=IeBxzpwGh_A&feature=related).
      .

      UMA OBRA-PRIMA

      Cenas da Vida, do fotógrafo paraense Paulo Amorim