Envie para um amigo



    Fale com a Diretoria

    Tem alguma dúvida? Precisa saber sobre alguma demanda como filiado? Quer contribuir com sugestões, ideias ou críticas?

    Envie uma mensagem para a DS Ceará. Queremos ouvir você!




      CINEMA É (MAIS QUE) A MAIOR DIVERSÃO - Coluna nº 11

      17, dezembro, 2010

      FILMES SOBRE O CINEMA - A METALINGUAGEM NAS TELAS

      Ao longo do tempo, inúmeros roteiristas e cineastas criaram histórias sobre o mundo fascinante do cinema, em suas variadas manifestações, quer do ponto de vista do próprio fazer cinematográfico, quanto das atividades que envolvem a distribuição e exibição das películas.

      Nessa categoria, incluem-se a transformação que as salas de exibição sofreram desde a época do cinema mudo, a retração do público com o advento das novas mídias (TV, videocassete, DVD, etc), e a conseqüente decadência e o fechamento de tradicionais casas de espetáculo; enfim, enredos tratando da relação entre a obra e os seus espectadores.

      Como para fazer um bom filme, constitui um requisito básico a paixão com que se cultiva essa demonstração artística, via de regra, filmes com esse teor constituem verdadeiras declarações de amor ao cinema feitas por seus realizadores, despertando a inveja de nós outros, simples mortais, que ficamos a nos perguntar, ao terminar a sessão: por que não fomos nós que criamos essa obra?

      A seguir, uma amostra de alguns títulos relacionados ao tema.


      A Rosa Púrpura do Cairo - A solitária garçonete Cecilia é perdidamente viciada em filmes hollywoodianos. Fica totalmente surpresa quando o astro principal repentinamente sai da tela para conhecê-la. Encantada por seu charme, ela se apaixona, até que encontra o ator que o interpreta. Direção: Woody Allen. EUA, 1984. O diretor retorna ao tema (da metalinguagem) em Dirigindo no Escuro, de 2002.

       


      GIUSEPPE TORNATORE EM DOSE DUPLA

      O badaladíssimo mas não menos belo Cinema Paradiso nos conta a história do garoto Totó, que vive no interior da Itália durante a Segunda Guerra. Sua principal diversão é passar o tempo no Cinema Paradiso, fazendo companhia ao projecionista Alfredo, que o ensina a amar a sétima arte.  Direção: Giuseppe Tornatore. Itália, 1989.

       


      Já em O Homem das Estrelas, de 1985, a trama se desenrola em torno de um falso caça-talentos que viaja pelo interior da miserável Sicília do início dos anos 1950, munido de uma câmara cinematográfica, explorando pessoas simples, ao prometer fama e fortuna no mundo mágico do cinema, em troca de suas economias. Apaixona-se por uma garota, convencendo-a a seguir consigo, mas é preso em seguida, deixando-a sozinha. Sobre o filme, Ségio Vaz, escreveu no blog “50 anos de cinema”: “Uma beleza emocionante...Cinema Paradiso era uma elegia à magia do cinema. Aqui, Tornatore usa a magia do cinema como uma ilusão que é vendida por um escroque para as pessoas humildes do povo”.

       


      Dentre os musicais destaco o clássico Cantando na Chuva, que mostra os bastidores dos estúdios de Hollywood na época da transição do cinema mudo para o falado. O galã, interpretado por Gene Kelly, e sua parceira (Jean Hagaen), são astros do cinema mudo que se preparam para estrelar mais um filme, quando seu produtor os alerta da estréia do primeiro filme falado, O Cantor de Jazz, e decide fazer o seu filme também falado. Produção norte-americana de 1952, dirigida por Gene Kelly e Stanley Donen.

       


      Falando-se de clássicos, não se pode omitir 8 ½, a maior das obras-primas de Federico Fellini. Conta a história de Guido (Marcello Mastroianni), um cineasta em crise de inspiração que não consegue encontrar uma idéia para o seu próximo filme. Atormentado, começa a ser assombrado por sonhos e recordações de passagens marcantes de sua vida. Itália, 1963. Outro grande exemplar do cinema italiano é Splendor, de Ettore Scola (1999), no qual acompanhamos a decadência de uma sala de cinema, alvo da especulação imobiliária, que termina por capitular em decorrência da perda de receitas. Nova interpretação magistral de Mastroianni.

      Entre os franceses, destaque para A Noite Americana, de François Truffaut (França/Itália, 1973), filme sobre a realização de outro filme. Além de observar os bastidores, ainda se vê Truffaut atuando. A história acompanha a loucura das filmagens e os problemas das vidas particulares dos envolvidos. Também francês, O Desprezo, dirigido por Jean-Luc Godard, é considerado um dos melhores filmes do cineasta e da nouvelle vague. Roteirista vai para Roma trabalhar numa adaptação de A Odisséia, de Homero, que o diretor Fritz Lang está rodando na cidade. Produção de 1963.


      Pra não dizer que não falei da produção nacional, cito o grande sucesso Lisbela e o Prisioneiro (2003), de Guel Arraes, que apresenta a relação de amor e fascínio de uma moça com a sétima arte. A personagem principal Lisbela (Débora Falabella) sonha em ter uma história de cinema, igual a dos filmes que tanto adora. Em outro filme nacional - Tapete Vermelho, de 2006 - o diretor Luiz Alberto Pereira presta uma bela homenagem a Mazzaropi. Um casal de caipiras leva o filho Neco, de 9 anos para uma cidade a fim de assistir a um filme do artista no cinema. Mas os tempos mudaram e os cinemas desapareceram. No caminho, o trio cruza com tipos curiosos provando que as lendas do sertão existem mesmo.


      Para encerrar, uma belíssima coletânea de curtas metragens assinadas por 33 dos grandes diretores do cinema mundial (Theo Angelopoulos, Bille August, Joel e Ethan Coen, Aki Kaurismäki, Abbas Kiarostami, Takeshi Kitano, Andrei Konchalovsky, Claude Lelouch, David Lynch, Walter Salles, Nanni Moretti, Roman Polanski, Lars Von Trier, Gus Van Sant, Wong Kar-Wai, Zhang Yimou, Raoul Ruiz e Wim Wenders, entre outros) que, como dissemos no início, constituem verdadeiras declarações de amor ao cinema, direcionando-as a nós, amantes da arte de contar histórias através das imagens. Considero Cada um com seu Cinema imperdível para todos aqueles que esperam de um filme mais do que uma simples diversão, parafraseando o título da coluna. É uma produção francesa de 2007.

       

      Luis Nóbrega
                   ( nobregaluis@ig.com.br )

      UMA OBRA-PRIMA

      Os Amantes (1923), de Pablo Picasso