CINEMA É (MAIS QUE) A MAIOR DIVERSÃO - Coluna nº 12
18, janeiro, 2011A MULHER E O CINEMA
I – AS DIVAS
Dorothy L'amour
Com amor te matei,
Sereia, n'areia do cinema…
(Fausto Nilo e Petrúcio Maia).
Rostos bonitos, corpos esculturais; talento? às vezes, nem tanto. Mas isso não importava muito; o que contava era a presença das Divas, que garantiam o sucesso do filme, embalando os sonhos dos marmanjos e ditando o modismo para as meninas.

Dentre os leitores menos jovens, quem ainda hoje, ao rever um filme antigo, não suspira por Vivien Leigh, Judy Garland, Greta Garbo, Marlene Dietrich, Katharine Hepburn, Ingrid Bergman, Rita Hayworth (foto), Bette Davis, Joan Crawford, Ava Gardner, Grace Kelly, Brigitte Bardot, Elizabeth Taylor, Romy Schneider, Audrey Hepburn, Claudia Cardinale e Marilyn Monroe? Mesmo que esse suspiro tenha muito de saudosismo de um tempo feliz de nossas vidas...
Já para os cinqüentões , as Divas que fizeram a nossa cabeça foram Sophia Loren (foto), Julie Andrews, Catherine Deneuve, Jane Fonda, Isabelle Adjani, Jacqueline Bisset, Vanessa Redgrave, Michelle Pfeiffer, Isabella Rossellini, Juliette Binoche, Julia Roberts, Sharon Stone e Demi Moore. Embora o nível de exigência dos cinéfilos tenha aumentado, buscando-se roteiros mais elaborados, a presença dessas atrizes era considerada, também, como importante para a qualidade da obra.
Mesmo para a atual geração, atrizes do porte de Nicole Kidman, Monica Bellucci, Liv Tyler, Angelina Jolie, Natalie Portman, Kirsten Dunst e Penélope Cruz (foto) compondo o elenco de filmes em cartaz, continuam constituindo forte apelo para se ir ao cinema ou escolher um filme na locadora, para se ver em casa.
II - DO OUTRO LADO DA CÂMERA - FILMES FEITOS POR ELAS
Mas as mulheres não se conformaram em ser apenas protagonistas das histórias do cinema e partiram, elas próprias, para contar essas histórias, dirigindo películas em pé de igualdade com os cineastas homens.
Muitas cineastas mulheres fizeram – e continuam fazendo – grandes filmes, demonstrando que o talento não tem sexo e, apesar do preconceito ainda reinante em nossa sociedade, conseguiram furar os bloqueios dele decorrentes e encontrar espaço para atuar do outro lado da câmera, dirigindo produções de qualidade.
Uma das pioneiras da direção foi a alemã Leni Riefenstahl, que, apesar de sua ligação com o nazismo, tem o seu talento reconhecido em todo o mundo; realizou, entre outros, Olympia (1936), retratando as Olimpíadas de Berlim, e O Triunfo da Vontade, grandioso documentário sobre o Congresso Nacional Socialista Alemão de 1934, que chegou a ser premiado no Festival de Veneza de 1936; título disponível em dvd.
No Brasil, Gilda de Abreu dirigiu, em 1946, O Ébrio, protagonizado pelo seu marido, Vicente Celestino, um marco na cinematografia nacional. Antes, o cinema brasileiro já havia tido uma diretora, a paulista Cléo de Verberena, com o filme O Mistério do Dominó Preto , de 1930 .
Outras grandes cineastas se seguiram, e hoje não causa nenhuma surpresa vermos um filme creditando a direção a uma mulher.
Listo, a seguir, uma pequena amostra de diretoras (nacionais e estrangeiras) com algumas de suas principais obras:

Lina Wertmuller , italiana, foi assistente de direção de Federico Fellini e já dirigiu cerca de trinta títulos, tendo sido indicada para ao Oscar , à Palma de Ouro e ao Urso de Prata . Com mais de 80 anos e ainda na ativa, Wertmüller realizou diversas obras consideradas essenciais para o cinema, como Amor e Anarquia, A Casa dos Gerânios, Mimi, o Metalúrgico, Pasqualino Sete Belezas, A Pequena Órfã , e Por Um Destino Insólito .

Jane Campion, premiada diretora neo-zelandesa. Dentre seus filmes, destacam-se Um Anjo em Minha Mesa e Brilho de uma Paixão . Mas o grande sucesso de público e crítica veio com O Piano, de 1993, com o qual ganhou diversos prêmios, sendo o primeiro longa dirigido por uma mulher a arrebatar a Palma de Ouro . O filme também ganhou o Oscar de melhor roteiro , foi indicado na categoria melhor diretor e venceu nas categorias melhor atriz principal e coadjuvante (Holly Hunter e Anna Paquin). É um grande filme.

Agnieska Holland, cineasta polonesa, assina mais de 30 filmes. Dentre outros, fez O Jardim Secreto , Eclipse de uma Paixão e Filhos da Guerra e Olivier, Olivier (1992), este, considerando pela crítica como o seu melhor trabalho. Um menino de nove anos desaparece sem deixar pistas, deixando a família desagregada. Seis anos depois do incidente, ele reaparece em Paris, mas pairam dúvidas sobre sua verdadeira identidade, o que põe em xeque o possível final feliz para o drama familiar.

Suzana Amaral , brasileira de São Paulo. Vencendo os preconceitos e as dificuldades que o cinema nacional enfrentava à época, Suzana Amaral despontou como uma grande diretora. Com a cara e a coragem é a responsável por um dos filmes brasileiros mais respeitados no exterior, o premiadíssimo A Hora da Estrela (1985), baseado na obra de Clarice Lispector. Outros títulos da cineasta: Perto do Coração Selvagem , Uma Vida em Segredo , Sua Majestade, Piolim e Semana de 22 .

Margarethe Von Trotta, diretora alemã, nascida em 1942. Seus filmes mais marcantes foram Rosa Luxemburgo , As Mulheres de Rosenstrasse , A Honra Perdida de Katharina Blum, O Segundo Despertar de Christa Klages, Três Irmãs e Os Anos de Chumbo . Destaque para este último, que retrata a vida de duas irmãs, filhas de um pastor, que lutam por mudanças sociais na Alemanha de 1968, como a legalização do aborto; uma é repórter e a outra participa de uma organização terrorista, e acaba presa.

Agnès Varda, cineasta franco-belga, nascida em Bruxelas em 1928, foi precursora da Nouvelle Vague , o movimento francês que eclodiu no início dos anos 1960. Suas obras mais apreciadas são Os Catadores e Eu, Sem Teto Nem Lei, Cléo das 5 às 7, As Praias de Agnès e As Duas Faces da Felicidade (1965); sobre este último, o site 50 Anos de Filmes comenta: “… um dos mais belos filmes que já foram feitos. Belo, no sentido estrito do termo segundo o dicionário – ‘que tem forma perfeita e proporções harmônicas; formoso, lindo'”.

Mira Nair, diretora indiana, que começou como atriz e depois dirigiu alguns documentários premiados. Seu primeiro filme foi Salaam Bombay , indicado ao Oscar de filme estrangeiro. Entre suas obras, destaques para Mississipi Masala , Feira das Vaidades e o recente Amelia . Casamento à Indiana (2001), seu filme mais conhecido no Brasil, é uma divertida comédia sobre a cerimônia de um casamento tradicional, arranjado às pressas entre uma moça vinda de um relacionamento fracassado e um engenheiro indiano, que vive no Texas.
Outras diretoras:
1. KATHRYN BIGELOW, norte-americana, primeira mulher vencedora do Oscar de melhor direção de 2010, por Guerra ao Terror dirigiu, ainda, Mission Zero (curta), O Peso da Água e K-19: The Widowmaker ; foi casada com o também diretor James Cameron;
2. LILIANA CAVANI, italiana ( Francesco , O Porteiro da Noite , A Pele );
3. LUCÍA PUENZO, argentina ( O Menino Peixe , XXY );
4. SOFIA COPPOLA, norte-americana ( As Virgens Suicidas, Encontros e Desencontros, Maria Antonieta, Um Lugar Qualquer );
5. SUSANNE BIER, dinamarquesa ( Corações Livres, Depois do Casamento, Coisas que Perdemos pelo Caminho, Em Um Mundo Melhor );
6. Outras Cineastas Brasileiras : Tizuka Yamasaki , Lúcia Murat , Norma Bengell , Carla Camurati e Daniela Thomas .
Luis Nóbrega ( nobregaluis@ig.com.br )
UMA OBRA-PRIMA
Os Artistas (Nova Iorque, cerca 1940), da fotógrafa norte-americana Helen Levitt.
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