Mandante do atentado ao colega Jesus é denunciado pelo MP
23, setembro, 2010A denúncia revela detalhes sobre a morte de um casal no Conjunto Esperança. Além do iraniano, foram denunciados pelo crime três sargentos da PM, a esposa de um deles e um comerciante
O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia contra seis pessoas presas na Operação Canal Vermelho, deflagrada pela Polícia Federal para investigar crimes que teriam sido cometidos a mando do iraniano Farhad Marvizi, 46. Além dele, foram denunciados três sargentos da Polícia Militar, a esposa de um dos PMs e um comerciante. O grupo responderá, na Justiça, pelo assassinato de um casal no bairro Conjunto Esperança, no dia 2 de agosto deste ano. Além desse crime, o iraniano responderá pela tentativa de homicídio contra um auditor da Receita Federal, em dezembro de 2008.
A denúncia foi oferecida pelo MPF na noite da última terça-feira, 21. O POVO teve acesso ao documento enviado à Justiça Federal. Nele, está descrito um resumo do que a PF apurou sobre a morte do casal que morava no Conjunto Esperança. Carlo José Medeiros, 41, e Maria Elizabeth Almeida, 35, foram assassinados por três homens armados que invadiram a residência deles, simulando um assalto. Segundo a PF, o crime foi uma queima de arquivo. O casal estava contribuindo com a Polícia, dando informações sobre a tentativa de homicídio contra o auditor da Receita. “Eles vinham contribuindo decisivamente para a elucidação dos fatos”, informa o documento.
Quatro dias antes do duplo homicídio, agentes da PF teriam ido até a casa do casal entrevistá-los. Segundo o inquérito da PF, isso, de alguma forma, chegou ao conhecimento do iraniano. Em uma churrascaria no bairro Canindezinho, Farhad teria se reunido com o sargento Jean Charles da Silva Libório e encomendado a morte do casal por R$ 80 mil. Também teriam participado do encontro o comerciante Charlles Hebert Martins, sócio do iraniano, e os sargentos Joaquim Alves Marinho e Cláudio do Nascimento Cardoso.
A outra pessoa citada na denúncia é a esposa do sargento Libório, identificada como Francisca Elieuda Lima Uchoa. Conforme a PF, ela participou do crime indo até a residência do casal para “repassar informações ao grupo criminoso.” O documento enviado à Justiça revela ainda trechos de um diálogo entre o iraniano e o seu sócio, Charlles Hebert. A ligação telefônica foi interceptada com autorização da Justiça. Na mesma noite da morte do casal, Farhad teria perguntado a Charlles se o “cara viajou.” Ao receber resposta positiva, ele teria rido e perguntado se “viajaram os dois”.
Outra prova apresentada pela Polícia foi um notebook encontrado na casa do sargento Libório. Segundo a PF, o computador havia sido levado da residência do casal na noite do crime.
OS DENUNCIADOS
Farhad Marvizi, 46: é apontado como líder da quadrilha. Teria mandado matar 11 pessoas em Fortaleza, que estariam atrapalhando seus negócios. Era dono de três lojas em shoppings da Capital. Também é acusado de contrabando e descaminho.
Jean Charles Libório, 35: o sargento da PM teria organizado a execução do casal no Conjunto Esperança. Segundo a PF, ele contratou três homens para efetuar o crime. O trio foi preso na última terça-feira, depois que o inquérito já havia sido enviado ao Ministério Público Federal.
Charlles Heberth Pereira, 22: era sócio do iraniano em seus negócios. Teria participado da intermediação para contratação do assassinato do casal. Também teria efetuado, a mando do iraniano, parte do pagamento do valor acertado para o crime.
Joaquim Alves Marinho, 53: o sargento da PM é tio do Charlles. Ele também teria participado da intermediação para contratação dos executores do crime e efetuado parte do pagamento.
Cláudio do Nascimento Cardoso, 43: trabalhava como segurança do iraniano e também teria intermediado a contratação.
Francisca Elieuda Uchoa, 44: esposa do sargento Libório. Teria auxiliado os criminosos, indo até a casa das vítimas e passando informações para a quadrilha.
E-Mais
O iraniano está sendo acusado pela Polícia Federal de mandar matar 11 pessoas em Fortaleza. Mas a PF só ficou responsável pelo inquérito de dois casos: a tentativa de homicídio contra um auditor da Receita e o assassinato do casal no Conjunto Esperança. Os demais serão encaminhados para delegacias estaduais.
A tentativa de homicídio do auditor ficou a cargo da PF porque se trata de um servidor federal. E o casal porque era testemunha do caso. Segundo a Polícia Federal, Carlo José e Maria Elizabeth não foram incluídos em programa de proteção a testemunhas.
Apenas o iraniano foi denunciado pela tentativa de homicídio contra o auditor da Receita. Os dois homens que atiraram nele não foram identificados. No inquérito, Farhad foi denunciado com base em depoimentos de testemunhas.
Na denúncia, os procuradores do MPF também pedem a manutenção da prisão preventiva dos acusados. O iraniano e o sargento Libório estão detidos na penitenciária de segurança máxima de Campo Grande (MS). O advogado do iraniano, Flávio Jacinto, está analisando a denúncia. Somente depois, decidirá se entrará com pedido para revogação da prisão.
Fonte: Jornal O Povo
Mais notícias