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Mantega não descarta medidas para o câmbio

5, maio, 2011

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira, 3, afirmou que nenhuma medida para conter o câmbio está descartada, mas evitou comentar qualquer provável ação porque "o fator surpresa é muito importante nessa área". Segundo o ministro, "o mercado é muito criativo e não brinca em serviço", por isso, o enfrentamento do problema demanda estratégias diferenciadas por parte do governo.

O ministro também argumentou que o dólar estaria na sua cotação mais baixa, ou seja, a valorização do real não é apenas um fator interno. "Não é que o real se valorizou tanto. É que o dólar se desvalorizou muito. Em comparação ao euro, só valorizamos 14% nos últimos anos, o que é compatível com os fundamentos da economia", disse.

Mantega afirmou que o País necessita de ajuste no câmbio. Segundo ele, as políticas monetárias expansionistas dos países avançados têm levado grandes fluxos de capitais para os países emergentes, como o Brasil. Ele destacou que os investimentos estrangeiros diretos são bem-vindos, mas alertou que parte destes recursos que chega ao País é para especulação e arbitragem.

"Nós temos que ter uma ação cambial forte para impedir que o Brasil seja inundado por estes capitais especulativos. Tem que ser contido. Este capital causa problema não só com a valorização do real, mas também alimenta a guerra cambial", afirmou. Mantega disse que há países que vivem de câmbio manipulado e, por isso, têm vantagens no comércio com o Brasil. Ele afirmou que a valorização excessiva do real transformaria o Brasil em exportador apenas de commodities e traria a "Doença Holandesa", com a atrofia do setor manufatureiro. "Isso não será permitido", afirmou.

O ministro disse que as ações do governo também são para evitar a formação de bolhas na economia brasileira, que quando estouram criam problemas. "Algumas empresas se endividam muito em dólar, e se, amanhã, tem reversão na cotação do dólar, que é flutuante no Brasil, haverá empresas com problemas, assim como tivemos com os derivativos. Não vamos permitir esse excesso em exposição cambial", disse.

Segundo Mantega, o câmbio estaria abaixo de R$ 1,40 se não fossem as medidas já adotadas pelo governo. "O câmbio não está no ideal, mas estaria abaixo se não tivéssemos tomados estas medidas", completou.

Em termos reais, o real está 35% valorizado desde 1994 em relação a uma cesta de moedas. Mantega disse que a valorização do real reflete mudanças nos fundamentos da economia brasileira, que são sólidos hoje. "Por isso, a tendência é de valorização", afirmou.

Investimentos

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as medidas adotadas pelo governo para conter a valorização do real e o aumento do crédito não prejudicam os investimentos. Segundo ele, é esperado um crescimento de 10% nos investimentos em 2011 ante 2010. "Está de bom tamanho. Vai crescer mais que o consumo e que o PIB. É assim que teremos um crescimento de qualidade", disse em audiência no Senado. Para a expansão da economia, Mantega previu uma taxa de 4,5% este ano, subindo para 5% nos próximos anos.

Ele disse que, para garantir esta trajetória do desenvolvimento brasileiro, é preciso fazer ajustes estruturais, como a agenda tributária, que será iniciada agora para simplificar o sistema tributário brasileiro. Mantega destacou também a necessidade de desonerar a folha de pagamentos e reduzir custos da produção. Além disso, o ministro afirmou que o governo quer fazer uma agenda da produtividade, com qualificação de mão de obra e investimentos em pesquisa e desenvolvimento.