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      Matéria da Folha aponta equívoco da aplicação de métodos gerenciais no setor público

      7, fevereiro, 2011

      O jornal Folha de São Paulo, publicou hoje (07/02) matéria intitulada "Por prêmio, delegado "empurra" crime para colega no Rio". O texto é um exemplo de como é equivocada a aplicação de métodos gerenciais no setor público. A denúncia de que trata o texto deixa claro que quando o Estado é tratado como empresa e o servidor público como vendedor comissionado os prejuízos são da sociedade. Confira aqui a matéria completa:

      Por prêmio, delegado "empurra" crime para colega no Rio

      Policiais tentam passar registros de ocorrências para outras áreas para cumprirem metas e receberem dinheiro extra

      A maioria dos pedidos é negada: mais de 150 recursos foram feitos, mas só 47 alterações foram aceitas

      ITALO NOGUEIRA
      DO RIO

      O sistema de premiação financeira por metas na segurança pública criou no Rio um jogo de "empurra crimes" entre delegados da Polícia Civil do Estado.
      Titulares das delegacias recorrem à Corregedoria da Polícia Civil para transferir crimes contabilizados na sua área para outra circunscrição, alegando erros nos boletins de ocorrência.
      A maioria dos pedidos, porém, é negada. Mais de 150 recursos (cada um pode se referir a mais de um BO) já foram interpostos na Corregedoria. Mas, entre janeiro e setembro do ano passado, apenas 47 alterações foram aceitas, 28 delas referentes ao local do delito -as demais corrigiram registros duplicados ou com erro de classificação.

      O principal motivo para os recursos é a preocupação em cumprir as metas de redução de crimes elencados como prioritários pela Secretaria de Segurança -homicídios, roubos de veículos e de rua, até o ano passado.

      "Se puder passar para ele [outro delegado], vai computar na estatística dele e não na minha. Tenho mais chance de alcançar minha meta. Mas isso é feito com critério e investigação", disse o delegado Rodolfo Monteiro, da 18ª DP (Praça da Bandeira).

      A transferência de uma delegacia para outra pode depender de poucos metros de distância. Um dos limites da 18ª DP, por exemplo, é marcado pelo número 190 da rua Paulo de Frontin.
      As mudanças constam em relatórios do ISP (Instituto de Segurança Pública), órgão do Estado responsável pelos registros criminais e monitoramento das metas. Segundo o instituto, uma delegacia conseguiu cumprir sua meta após ter o recurso aceito -não foi revelada qual.
      Se a região atingir a meta semestral, cada policial recebe ao menos R$ 500. A partir deste ano, serão R$ 1.000.

      O objetivo da Secretaria de Segurança para criar as metas foi, além de cobrar resultados, estimular a integração entre as polícias Civil e Militar. Agentes das duas corporações seriam incentivados a trocarem informações para atingirem um bom resultado para ambos. Já foram distribuídos cerca de R$ 17 milhões em prêmios.

      Procurada, a secretaria não comentou o caso.

      De acordo com delegados, o estabelecimento de metas estimulou o acompanhamento dos índices em cada região. Para o delegado Rafael Menezes, da 20ª DP (Vila Isabel), a preocupação com os recursos não tem vínculo só com as gratificações.
      "Isso passou a ser uma nova visão. Passou-se a cobrar que cada unidade acompanhe como está o índice de sua área", disse Menezes, que fez parte de comissões que analisam recursos.