Novo mínimo não avança e IR deve ficar em 4,5%
28, janeiro, 2011O governo bateu o pé na negociação com as centrais sindicais. Reafirmou o valor de R$ 545 para o salário mínimo e praticamente descartou reajustar a tabela do Imposto de Renda (IR) em 6,46%, como reivindicado pelos representantes dos trabalhadores. O ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, disse que a tendência do governo é a correção ficar em 4,5%, como implementada nos últimos quatro anos do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A reunião frustrou a expectativa das centrais sindicais, que esperavam conseguir posições concretas do governo sobre o mínimo e a tabela do IR. Levaram a Gilberto Carvalho, inclusive, uma pauta mais ampla, com aumento para aposentados que recebem acima do mínimo e desoneração da folha de pagamento. As respostas foram similares: não deverá haver mudança na política estabelecida. Aos aposentados, o reajuste fica limitado à inflação e, quanto à desoneração, será aberta uma nova negociação.
O governo buscou limitar o primeiroencontro com os sindicalistas ao debate sobre o mínimo e não quis discutir a correção da tabela do IR para evitar a vinculação das propostas. Um novo encontro está marcado para a próxima terça-feira (1º).
O ministro disse que aumentar o valor do salário mínimo para este ano significaria descumprir o acordo de conceder o reajuste baseado no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores mais a inflação pelo INPC, o que chegaria aos R$ 545. As centrais reclamam por um valor maior, baseado no argumento de que a economia registrou crescimento negativo em 2009 por conta da crise financeira internacional. ´Nenhum de nós estava esperando chegar aqui e sair com tudo resolvido. Reclamamos porque não estávamos sendo recebidos pelo governo, ponderou o presidente da Força Sindical e deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP).
O governo lembrou que essa alteração comprometeria o aumento de 2012, que chegará ao redor de 14%, levando-se em conta o crescimento superior a 7% da economia no ano passado. ´É inconveniente mexer nesse acordo. Vamos honrar o compromisso e esperamos que as centrais tenham sensibilidade para entender este momento`, disse Carvalho. Ao ser questionado sobre a possibilidade de elevar o valor para R$ 550, respondeu: ´Qualquer valor acima vai entrar na feira do imponderável.
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