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      CINEMA É (MAIS QUE) A MAIOR DIVERSÃO - Coluna nº 7

      9, junho, 2010

      FILMES SEM DIÁLOGOS

      Sem saudosismos da época do cinema mudo, mas destacando todo o potencial das imagens como elemento essencial à linguagem da arte cinematográfica, alguns cineastas realizaram verdadeiras obras-primas sem a utilização da fala, se valendo tão-somente de uma perfeita harmonização entre as cenas e a trilha sonora que as acompanha, alcançando, assim, o objetivo da mensagem buscada na concepção da obra, para atingir a sensibilidade do público. A seguir, uma amostra desse estilo.

       

       

      Vejam "O Baile", de Ettore Scola (Itália, França, Argélia, 1982), em que o diretor “conta” a história da França dos anos 30 aos anos 80, apenas utilizando um grupo de casais em um salão de baile, dançando ao som das músicas que marcaram os vários períodos retratados e as mudanças nos costumes e modismos da sociedade francesa, determinadas pelos acontecimentos sociais e políticos.

      As lutas da classe trabalhadora, o período de ocupação nazista (com o colaboracionismo e a resistência), a libertação da França pelas forças aliadas, a invasão da música norte-americana (Glenn Miller e o rock’n’roll) e a erupção dos movimentos sociais que desembocaram no maio de ’68 - com o romântico radicalismo dos estudantes -, tudo isso é simbolizado, de modo magistral, pela coreografia dos atores.

       

       

       

      Já em um belo filme-memória do século XX, o cineasta Marcelo Marsagão nos premia com “Nós que Aqui Estamos, por Vós Esperamos”, produção brasileira de 1999, realizada a partir de recortes bibliográficos de pequenos e grandes personagens que construíram a história do século passado.

      O filme – com uma impecável trilha sonora – “abre” e “fecha”, dentro de um cemitério, onde, simbolicamente, se encontram as pessoas nele retratadas, nos lembrando do “encontro” que, em breve, viremos a ter, independentemente da importância da nossa existência para a história da humanidade.

       

       

       

       

      Outro belo exemplar desse estilo de cinema é “Powaqqatsi”, do norte-americano Godfrei Reggio (que fez, na seqüência, os quase impronunciáveis “Koyaanisqatsi” e “Noqovqatsi”), onde, também com uma belíssima trilha sonora e uma justaposição de imagens de culturas antigas com as da vida moderna, apresenta um dos mais magníficos espetáculos visuais e auditivos já criados na história do cinema. A produção é de 1988.

       

       

       

       

       

      Por fim, cito “Themroc”, filme de Claude Faraldo, produzido em 1972, na França. Retrata a revolta de um trabalhador contra o quotidiano de miséria a que se encontra submetido. O seu despertar leva-o à procura do fruir dos instintos mais primitivos reprimidos pela domesticação da sociedade industrial, e ao repelir das instituições causadoras dessa repressão. Sem linguagem conceptual durante todo o filme, constitui-se numa obra-prima de crítica à civilização. Foi exibido em Fortaleza nos anos 80, na sessão de arte do saudoso Cine Gazeta, do Center Um e, pelo que me consta, não chegou a ser lançado no Brasil em VHS ou DVD.

       

       

       

      UM CINEASTA ESPECIAL

      Sobre Ingmar Bergman

      A carreira de mais de seis décadas de Ingmar Bergman produziu uma extensa obra que influenciou várias gerações. Da estréia como diretor em “Crise” (1946) até “Fanny e Alexander” (1982), Bergman dirigiu mais de 50 filmes e mais de 170 peças de teatro, além de assinar diversos livros e produções para a TV.

      Os temas existencialistas marcaram a cinematografia do diretor, que inclui os célebres “Persona” (1966), “Cenas de um Casamento” (1973), “A Flauta Mágica”(1975) e “O Ovo da Serpente” (1978).

      Seu último longa foi “Saraband” (2003), em que Erland Josephson e Liv Ullman voltam a encarnar seus personagens de “Cenas de um Casamento”.

      Indicado ao Oscar nove vezes, ele ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro três vezes, além de ter conquistado sete prêmios no Festival de Cannes e dois no Festival de Berlim.

      Filho de um severo pastor protestante que o espancava e o trancava em quartos escuros, Ingmar Bergman nasceu em 14 de julho de 1918 na cidade de Uppsala, ao norte de Estocolmo.

      Bergman formou-se pela Universidade de Estocolmo e iniciou sua carreira no teatro. Casado cinco vezes, teve nove filhos - entre eles Linn Ullmann, sua filha com a atriz norueguesa Liv Ullmann.

      Sua morte, em 30 de julho de 2007, em sua casa na ilha sueca de Faro, foi lamentada pelos amantes do cinema como o fim de uma era.

      Embora seja difícil destacar algum título de sua imensa filmografia, fica aqui a indicação de três de meus prediletos: “Morangos Silvestres” (1957), “Gritos e Sussurros” (1972) e “Sonata de Outono” (1978).

      Luis Nóbrega (nobregaluis@ig.com.br)

      UMA OBRA-PRIMA

      Foto Histórica da MPB – 1968 (autor desconhecido)