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      CINEMA É (MAIS QUE) A MAIOR DIVERSÃO - Coluna nº 8

      21, julho, 2010

      CINEMA É (MAIS QUE) A MAIOR DIVERSÃO - COLUNA 08

      Um Olhar sobre o Diferente

      A intolerância sempre constituiu um marco das civilizações, motivando intenso sofrimento para a humanidade ao longo de sua história, tanto do ponto de vista individual, pela odiosa discriminação do “diferente”, quanto dos grupos sociais, aí compreendidas as minorias étnicas, religiosas, culturais e as classes econômicas subalternas, além do desrespeito à orientação sexual que se afaste do modelo padrão da sociedade.

      O tema transporta-nos, de imediato, às guerras, sempre justificadas pelas mentiras que encobrem as suas reais motivações; às perseguições políticas e religiosas a quem ousa contestar as “verdades” que alicerçam a manutenção do poder (a Inquisição, de triste memória para a Igreja, e as ditaduras de toda ordem, inclusive a econômica, constituem bons exemplos), além do preconceito contra o “outro”, em quem não nos vemos refletidos.

      Muito já se produziu sobre o assunto, em termos de literatura, teatro, cinema e outras formas de expressão artística, em que os autores com formação humanística dirigem o seu talento para sensibilizar a sociedade quanto a essas questões, buscando se contrapor às mensagens em sentido contrário que bombardeiam o homem desde o seu nascimento, estimulando a competição, o consumismo, o individualismo e a busca pelo poder; enfim, todos os comportamentos fomentadores daquelas mazelas.

      Quanto ao cinema, inúmeras películas nos instigam a olhar o diferente a partir de pontos de vista distintos dos que estamos acostumados a fazê-lo; e considerando as infinitas subdivisões que o tema comporta, selecionei alguns títulos que recomendo aos leitores da coluna:

      FILMES

      1) O Oitavo Dia - Jaco van Dormael - Bélgica, 1996

      Belíssimo roteiro envolvendo um adolescente com síndrome de Down, com executivo em crise conjugal, cujo encontro casual fez nascer uma relação de crescente respeito e cumplicidade entre os dois, sem que o diretor resvale para o melodrama. Para ver e rever muitas vezes.

      2) Eu, Também (Yo, También) - Álvaro Pastor e Antônio Naharro - Espanha, 2009

      Drama semibiográfico do protagonista, interpretado por Pablo Piñeda, primeira pessoa com síndrome de Down a obter um grau acadêmico na Europa; com inteligência acima da média, ele tem consciência de suas limitações na vida social e, principalmente, do ponto de vista da sexualidade. Prêmio de Melhor Ator no Festival de San Sebastian, em 2009.

      3) XXY - Lucia Puenzo - Argentina, Espanha, França, 2007

      A cineasta, filha de Luiz Puenzo, de A História Oficial, fez um filme de “gente grande”, abordando um tema muito delicado (hermafro-ditismo), que poderia descambar para o sensacionalismo. Contando com um naipe de bons atores - a começar por Ricardo Darín, de O Segredo de Seus Olhos - o filme retrata a história de uma adolescente de 15 anos, que nasceu com genitálias dos dois sexos, o que leva os pais a se mudarem da cidade grande, buscando protegê-la da curiosidade e da intolerância dos que a cercam. A proximidade da idade adulta traz a necessidade de decidir o futuro da garota, com a participação dela sobre a definição acerca de sua sexualidade.

      4)  Estrelas na Terra - Toda Criança é Especial (Taare Zameen Par) - Aamir Khan - Índia, 2007

      Filme ainda não lançado no Brasil, retrata de forma poética os problemas enfrentados por criança acometida de dislexia, não diagnosticada pelos pais e professores. O fato constitui motivo de muito sofrimento para o garoto, freqüentemente humilhado pelos colegas e castigado por não conseguir acompanhar as aulas na escola, até cruzar com um mestre que, identificando o problema, passa a ajudá-lo a superar as dificuldades; cópia obtida por download circula entre o Magistério nacional, que faz campanha para o seu lançamento comercial no País.

      5) Vermelho como o Céu - Cristiano Bortone - Itália, 2006

      Baseado na vida real de Mirco Mencacci, editor de som da indústria cinematográfica italiana, o filme conta a história de garoto que perde a visão em acidente aos dez anos; apaixonado por cinema, passa a estudar em instituição de deficientes visuais, em Gênova, onde descobre um velho gravador e passa a criar histórias sonoras como forma de adaptação ao seu problema.

       

      OUTROS TÍTULOS:

      • O Ilusionista, de Jos Stelling - Holanda, 1984 (esquizofrenia);
      • A Cor do Paraíso, de Majid Majidi - Irã, 2003 (cegueira infantil);
      • O Homem Elefante, de David Lynch - EUA, 1980 (deformação generalizada);
      • Giordano Bruno, de Giuliano Montaldo - Itália, 1973 (contestação aos dogmas da Igreja Católica);
      • e, é claro, o já quase centenário Intolerância, clássico de D. W. Griffith - EUA, 1916 (a opressão na humanidade, em quase 3 mil anos de história);

      Luis Nóbrega (nobregaluis@ig.com.br)


      UMA OBRA-PRIMA

      A PIETÁ (1499), de Michelangelo di Ludovico Buonarroti Simoni