CINEMA É (MAIS QUE) A MAIOR DIVERSÃO - Coluna nº 9
19, agosto, 2010FILMES PREMIADOS EM FESTIVAIS:
Muitas pessoas consideram importante para a escolha de um filme a ser assistido, o fato de ele haver se destacado em festivais de cinema, principalmente entre os mais badalados que ocorrem pelo mundo afora.
Realmente, pode ser um bom referencial para a obra, embora, às vezes, fiquemos desapontados com o resultado, que nem sempre atende às expectativas geradas com a premiação.
Precisamos ter em mente que, no mundo capitalista, a produção cinematográfica insere-se na indústria de entretenimento, movimentando fábulas de recursos, cujo investimento precisa dar o máximo de retorno aos produtores; e, sabendo-se que a conquista representada pela sua escolha como “melhor filme” nos festivais (dentre outras premiações) é garantia de sucesso comercial da obra, toda uma sofisticada estratégia de mercado é montada para o alcance daquele objetivo.
Ótimo quando, apesar disso tudo, o filme é bom. Se não, motivados pelas campanhas da mídia, todos vão assisti-lo, e, em seguida, esquecê-lo, por se tratar de mais um produto descartável, como tantos outros que consumimos nessa sociedade marcada pela cultura do efêmero. 
Dentre os inúmeros festivais que acontecem no mundo, o de maior apelo popular é seguramente a premiação do “oscar”, promovida, desde 1929, pela Academia de Cinema de Hollywood (ou Academia de Artes e Ciências Cinematográficas), nos Estados Unidos da América; e, por razões óbvias, é o que mais se enquadra no modelo desenhado acima.
Nessa coluna, relaciono os vencedores do “oscar” dos anos 2000, tanto dos melhores filmes norte-americanos, quanto estrangeiros, com os respectivos países de origem, que poderá servir de guia para o leitor conferir a qualidade das obras listadas. Ao lado do título, indico a minha avaliação para os filmes que assisti (* = Ruim; ** = Regular; *** = Bom; **** = Ótimo; ***** = Excelente).
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Ano |
Melhor Filme (Diretor) |
Melhor Filme Estrangeiro (Diretor) |
País de Origem |
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2010 |
Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow) |
O Segredo de seus Olhos ( Juan José Campanella ) **** |
Argentina |
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2009 |
Quem quer ser um Milionário? (Danny Boyle) |
A Partida ( Yojiro Takita) **** |
Japão |
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2008 |
Onde os Fracos Não Têm Vez (Joel e Ethan Coen) |
Áustria |
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2007 |
Os Infiltrados (Martin Scorsese) *** |
A Vida dos Outros ( Florian von Donnersmarck ) **** |
Alemanha |
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2006 |
Crash - no Limite (Paul Haggis) *** |
Infância Roubada ( Gavin Hood ) |
África do Sul |
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2005 |
Menina de Ouro (Clint Eastwood) |
Mar Adentro ( Alejandro Amenábar ) *** |
Espanha |
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2004 |
O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (Peter Jackson) |
As Invasões Bárbaras ( Denys Arcand ) **** |
Canadá |
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2003 |
Chicago (Rob Marshall) |
Nenhum Lugar da África ( Caroline Link) |
Alemanha |
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2002 |
Uma Mente Brilhante (Ron Howard) ** |
Terra de Ninguém ( Danis Tanović ) *** |
Bósnia e Herzegovina |
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2001 |
Gladiador (Ridley Scott) |
O Tigre e o Dragão ( Ang Lee ) ** |
Taiwan |
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2000 |
Beleza Americana (Sam Mendes) *** |
Tudo sobre Minha Mãe ( Pedro Almodóvar ) *** |
Espanha |
Nas colunas seguintes, comentarei outros importantes festivais que acontecem anualmente em diversos lugares.
UMA CENA INESQUECÍVEL
Se você vê muitos filmes, certamente não guarda, de memória, o enredo da maioria, não lembrando, às vezes, até que os tenha assistido. Entretanto, algumas películas apresentam cenas antológicas que as marcam indelevelmente na memória dos espectadores, quer pela força das imagens, quer por despertar fortes emoções na platéia. Para mim, isso representa a consagração do cineasta, como artista.
Quem assistiu, não consegue esquecer Julie Andrews cantando “ dó-ré-mi” com as crianças, no alto das montanhas austríacas, em A Noviça Rebelde (EUA, 1965), de Robert Wise (confira em http://www.youtube.com/watch?v=Bw7lxdiL7NI ); ou a esquadrilha de poderosos helicópteros aproximando-se do alvo vietnamita e cuspindo suas metralhadoras mortíferas e lançadores de napalm , ao som de “ A Cavalgada das Valquírias ”, de Richard Wagner, em Apocalipse Now (EUA, 1979), de Francis Ford Copolla ( http://www.youtube.com/watch?v=Gz3Cc7wlfkI ); ou, ainda, a “sessão privé ” dos recortes de cenas “eróticas” (geralmente, beijos acalorados), censuradas pelo moralista padre da cidade, deixados, por herança, pelo velho projecionista (Philippe Noiret) para o seu ajudante (personagem vivido na idade adulta por Jacques Perrin), em Cinema Paradiso (Itália/França, 1988), de Giuseppe Tornatore ( http://www.youtube.com/watch?v=94aAPTWtcEQ ), tendo, ao fundo, a música de Ennio Morricone.
Qual a sua cena inesquecível? Descreva-a no sítio da DS-Ceará que terei o prazer de comentá-la nas próximas colunas.
Luis Nóbrega ( nobregaluis@ig.com.br )
UMA OBRA-PRIMA
O Terapeuta (Escultura de 1967), de René Magritte

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