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      DS/CE se solidariza à luta sindical de outras categorias

      10, março, 2009

      A DS/Ceará se solidariza às entidades representativas de jornalistas e gráficos e republica nota de repúdio que pode ser lida hoje (10/3) nas edições dos jornais O Povo e Diário do Nordeste. Confira abaixo a íntegra do texto:

      Nota de repúdio

      A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce) e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica, da Comunicação Gráfica e dos Serviços Gráficos do Estado do Ceará (Sintigrace) repudiam de forma veemente a postura assumida pelo jornal O Povo durante a manifestação conjunta das duas categorias, realizada na última sexta-feira, dia 6 de março, em frente à empresa. Contrariando os princípios democráticos que defendeu ao longo de oito décadas de história, o jornal O Povo contratou duas viaturas de segurança armada, 15 homens armados de cassetetes e escudos, e cercou com grades de ferro toda a área externa da empresa.

      Não bastasse o forte aparato de segurança privada, O Povo ainda acionou o sistema de segurança pública - 16 policiais militares munidos de armas de fogo, três viaturas do Comando Tático Motorizado (Cotam) e uma viatura do 5º Batalhão da Polícia Militar compareceram ao local -, desviando de seus afazeres um número considerável de PMs que deveriam estar combatendo o crime em Fortaleza, ao invés de estarem intimidando trabalhadores que apenas reivindicam diálogo, respeito e melhores salários.

      Num claro desrespeito à Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas, O Povo tentou impedir o acesso dos dirigentes sindicais à empresa, entre eles a presidente do Sindjorce e tesoureira da Fenaj, Déborah Lima, funcionária do jornal há dez anos, e o delegado da Fenaj no Ceará, Mirton Peixoto, empregado da empresa há mais de duas décadas. Ao saber da realização do ato, o jornal não só reforçou a segurança como também coagiu jornalistas a não participarem, ameaçando-os veladamente de demissão.

      No dia seguinte à manifestação, O Povo publicou matéria contendo inverdades sobre o ato, entre elas a de que os patrões haviam abandonado a mesa de negociação em janeiro porque a presidente do Sindjorce teria “mudado” a proposta de reajuste salarial, passando a reivindicar a unificação dos pisos de mídia eletrônica e impressa, o que daria um percentual superior a 18%. A verdade é que essa foi a primeira proposta apresentada pelos jornalistas, ainda em setembro de 2008, e recusada prontamente pelos donos de jornais.

      Hoje, a reivindicação é de elevar o piso salarial de R$ 1.152,00 para R$ 1.267,20 e reajustar em 9% os salários acima do piso. A proposta foi encaminhada ao Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas no dia 20 de janeiro. Além de não responderem à contraproposta do Sindjorce, os jornais desmarcaram a negociação prevista para o dia 22 de janeiro e abandonaram a mesa de negociação sem dar nenhuma satisfação aos jornalistas, o que motivou a manifestação do dia 6 de março.

      Na intenção de desmobilizar os jornalistas, o jornal O Povo antecipou reajuste de 6,3%, antes mesmo do término das negociações, contrariando decisão de assembleia da categoria, realizada em 18 de dezembro de 2008, na sede do Sindjorce. A assembleia rejeitou a proposta de achatamento salarial, tendo em vista que o percentual oferecido pelas empresas nem sequer cobria as perdas da inflação, que chegou a 7,15% no período de setembro de 2007 a agosto de 2008.

      O maior patrimônio do jornal O Povo é a sua credibilidade, manchada agora por um ato autoritário, claramente influenciado pela ação de consultores trabalhistas incompetentes e irresponsáveis. Se vivos fossem, os presidentes do O Povo, Demócrito Dummar, e do sindicato patronal, Manoel Eduardo Campos, não aceitariam conselhos daqueles que apostam na intimidação, na coação e no arbítrio para solucionar questões trabalhistas que deveriam ser resolvidas, como sempre foram, com urbanidade e diálogo entre trabalhadores e patrões na mesa de negociação.

      Fortaleza, 9 de março de 2009

      Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)
      Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce)
      Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Gráfica, da Comunicação Gráfica e dos Serviços Gráficos do Estado do Ceará (Sintigrace)