Governistas fazem pressão pela retomada da reforma tributária
16, fevereiro, 2009A aprovação da reforma tributária é uma das prioridades do governo neste ano. Este foi o recado dado pelo ministro da coordenação política, José Múcio Monteiro, as líderes de todos os partidos da base governista na Câmara. Múcio e o relator da reforma, o líder do PR na Câmara, Sandro Mabel (GO), defenderam a aprovação da reforma como uma das medidas para combater a crise internacional. "A equipe econômica segue empenhada na aprovação da medida. Tanto que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, participará de um seminário internacional no início de março que mostrará ações que estão sendo tomadas pelo Brasil nestes últimos meses", disse Mabel.
O seminário será organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social nos dias 4, 5 e 6 de março. Está prevista a presença de integrantes do governo e de economistas brasileiros e estrangeiros. Uma semana depois, alguns ministros, dentre eles, Dilma Rousseff (Casa Civil), participarão de outro seminário, dessa vez nos Estados Unidos, para também debater a crise internacional e a atração de investimentos para o Brasil. Segundo Múcio, a crise é grave, necessita da atenção de todos, inspira cuidados, mas o governo segue "fazendo o dever de casa" e tomará todas as medidas para minimizar os efeitos negativos no país.
O líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), declarou ontem que o Poder Executivo vai insistir na votação da reforma tributária, no plenário da Câmara, em 30 a 40 dias. Segundo ele, a oposição fez acordo para votar, mesmo sem compromisso de aprovar o mérito da proposta. "Não é matéria fechada", declarou o petista. Mabel, que reassumiu a liderança do PR neste ano, mas manteve a relatoria da reforma, colocou-se à disposição dos demais parlamentares para esclarecer dúvidas que possam dificultar a orientação das respectivas bancadas.
O parlamentar goiano, no entanto, tem uma visão menos pessimista do cenário internacional. "Não há como negar que a crise é séria, mas outros setores da economia poderão viver a mesma retomada que está sendo vista no setor automobilístico. Muitas empresas estão contratando porque os estoques acabaram, mas a demanda continua alta", disse o deputado, que também é empresário do setor de alimentos.
Além de tratar da reforma tributária, o encontro reunindo o ministro da articulação política e os líderes dos partidos aliados abordou o tema da reforma política. Múcio foi cauteloso, ciente de que os menores partidos têm resistência a alguns pontos do projeto encaminhado pelo governo ao Congresso. Lembrou que a consciência das dificuldades na tramitação levou o Executivo a encaminhar a reforma de maneira fatiada e independente. "Se aprovarmos um projeto, ótimo. Se aprovarmos dois, excelente. Se aprovarmos mais, melhor ainda", teria dito o ministro, segundo relato dos presentes. O líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), disse que o partido apoia todos os pontos da proposta do governo.
Nem os líderes nem Múcio falaram da eleição das Mesas na Câmara e no Senado e da vitória de Michel Temer para a presidência da Câmara. "Isto já passou, é página virada", brincou o líder do PP na Câmara, Mário Negromonte (BA). O almoço foi considerado uma homenagem dos líderes aliados a Múcio, que teria saído desgastado do processo eleitoral.
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