I Seminário Nordeste sobre a Unificação das Entidades: confira entrevista com o palestrante Olavo Cordeiro
19, setembro, 2008Qual a sua avaliação em relação ao processo de unificação da UNAFISCO/FENAFISP? Quais as melhorias que ocasionarão esta fusão?
Olavo Cordeiro - Independentemente das opiniões divergentes sobre a fusão da Receita Federal e da Previdência, tanto entre os dirigentes sindicais quanto nos segmentos das categorias oriundos de uma ou outra instituição, a unificação da representatividade sindical tem o apoio amplamente majoritário da nova categoria. O processo de unificação em andamento – Plenária Nacional, Seminário da Região Sul (já realizados), Seminários da Região Nordeste e Região Sudeste, Congressos da Unafisco e Fenafisp, Assembléias Nacionais etc – atesta não somente a responsabilidade dos dirigentes sindicais como também a participação de parcela significativa da categoria na discussão da questão da unificação, seus pressupostos, sua “necessidade”, seus reflexos para a defesa da categoria, da instituição e, em última instância, em defesa do interesse público. Mas, sem dúvidas, foi a unidade na luta exercida por ocasião da atual campanha salarial que deu “régua e compasso” para a formatação do novo sindicato.
Como afirmou recentemente um cientista político em um de nossos eventos sindicais: o sindicato não pode ser um acordo entre burocracias, não é a burocracia que faz o sindicato, é a luta que faz o sindicato. Portanto este processo decisório participativo pode levar realmente a melhorias da nossa representação sindical. Quais? Cabe a nós construí-las.
Faça um breve relato da palestra “História e organização política do UNAFISCO”
Olavo Cordeiro - O surgimento do UNAFISCO SINDICAL se deu numa conjuntura nacional de final do regime ditatorial (1985), abertura política e constituinte que culminou com o direito de sindicalização dos servidores públicos (1988) a convivência entre a Associação UNAFISCO e o recém criado SINDIFSCO (1989 a 1995). As campanhas reivindicatórias da categoria, a participação na construção da Constituição Cidadã, os direitos dos servidores públicos, a legitimação social, o compromisso com o interesse público nas campanhas contra a corrupção, processo contra PC Farias, impeachment do presidente da República mostram que a construção do que é hoje o UNAFISCO SINDICAL não se limitou a um calendário de reuniões. Participação nas discussões, engajamento da categoria nas questões inerentes ao SERVIDOR PÚBLICO com letras maiúsculas, é disto que tratará a palestra.
Qual o paralelo entre o processo de 90 e agora? Como foi conduzido e o que pode ser aproveitado dele?
Olavo Cordeiro - Desde a criação da Comissão Paritária entre as Diretorias e Conselhos das duas entidades em 90 – UNAFISCO ASSOCIAÇÃO E SINDIFISCO – a captação de sugestões e teses vindas das bases até a organização de debates regionais, Encontro Nacional e realização de um plebiscito final, a preocupação central foi garantir e estimular a maior participação possível da categoria na resolução daquilo que acabou sendo rejeitado por ampla maioria: a duplicidade da representação política da categoria.
È justamente este espírito crítico e participativo que estamos construindo novamente e com a mesma finalidade, unicidade da representação sindical da categoria. Isto significa não apenas a existência de um só sindicato mas também a garantia de que as associações existentes possam continuar sua atuação nas áreas tipicamente associativas
mas sem a pretensão da representação política e sindical que cabe indubitavelmente ao sindicato.
Qual o maior risco que a carreira de Auditor-Fiscal enfrenta atualmente? Comente.
Olavo Cordeiro - Respondendo apenas sobre a questão da unicidade, o maior perigo seria um retrocesso no processo em curso e a criação de um sindicato apenas por acordo
das burocracias o que geraria um enfraquecimento das representações sindicais existentes hoje. Não me parece ser esta a postura dos dirigentes sindicais, nacionais, regionais e locais e muito menos o desejo e a prática da nova categoria.
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