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      País estuda novas desonerações

      9, maio, 2011

      O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o governo tem a intenção de debater novas desonerações com os parlamentares. Mantega admitiu que a carga tributária brasileira é elevada e citou a necessidade de desonerar principalmente as exportações.

      O ministro citou um novo sistema que será implementado pela Receita Federal até o fim do ano, para a apuração em tempo real do PIS e da Cofins. A devolução de créditos para os exportadores não é fácil pela contabilidade, pois é difícil a verificação da real existência desses créditos. Com o novo sistema, saberemos exatamente o crédito a devolver , acrescentou.

      Em relação à desoneração da folha de pagamentos, Mantega alegou que não tem uma posição definida. Sabemos que é preciso desonerar contribuição patronal da folha, mas uma discussão será feita com o Congresso , completou.

      Juros
      Mantega admitiu ainda que a despesa de juros brasileira é alta, ainda que as taxas reais (descontada a inflação) no país tenham caído gradualmente nos últimos anos. Também sinto e também dói no meu bolso quando pagamos a despesa de juros que deve ficar entre R$ 180 bilhões e R$ 190 bilhões este ano. Não devemos pagar tanto , afirmou.

      O ministro disse, porém, que o aperto fiscal promovido pelo governo criará condições para que a Selic (a taxa básica de juros da economia) possa ser reduzida no longo prazo. É um caminho gradual que tem sido trilhado com toda a prudência necessária e vai permitir nova relação entre política fiscal e política monetária. Ele garantiu aos senadores que o governo tomará todas as medidas necessárias para conter a alta dos preços. Mesmo que o foco principal da inflação seja gerado fora do país, temos uma economia aquecida com alguns focos internos, como serviços. Por isso, temos que evitar que a inflação contagie outros setores da economia , afirmou.

      Segundo Mantega, o governo usará todas as armas disponíveis para evitar que produtores passem adiante a inflação do passado, criando um círculo vicioso . São várias armas para impedir que haja essa indexação da economia brasileira , acrescentou. O Brasil carregaria 3% de inflação básica só por causa dessa indexação, acrescentou.

      Mesmo assim, ele destacou que a inflação no Brasil ainda é menor que outros países emergentes. O Brasil não está mal nesta foto. Tem a inflação mais controlada que em outros países , disse. O ministro disse que há um surto inflacionário no mundo, afetando principalmente os países emergentes. Para Mantega, o Brasil encerrará este ano com a inflação dentro do centro da meta, que tem como limite 6,5%.