Preso empresário iraniano acusado de atentado contra o AFRFB Jesus Ferreira
13, agosto, 2010O iraniano Farhad Marvizi, 46, acusado de mandar matar 11 pessoas em Fortaleza, foi preso ontem durante a operação Canal Vermelho, da Polícia Federal (PF). Ele é apontado como líder de uma organização criminosa que contrabandeava produtos eletroeletrônicos. Segundo as investigações, quem interferisse nos negócios era executado por pistoleiros ou mesmo por policiais militares contratados pelo empresário. Farhad é proprietário de três lojas em shoppings da Capital. Além dele, foram presos ontem outras 10 pessoas, duas delas PMs.
A Polícia Federal descobriu os crimes ao investigar a tentativa de assassinato contra o auditor da Receita Federal José de Jesus Ferreira, baleado em dezembro de 2008. Na época, o auditor estaria apurando uma denúncia contra o iraniano. De acordo com o inquérito da PF, foi Farhad quem mandou executá-lo. Durante a apuração do crime, a PF concluiu ainda que o empresário teria mandado matar outras 10 pessoas.
Entre as vítimas, está o casal Carlo José Medeiros Magalhães, 41, e Maria Elisabete Almeida Bezerra, 35, assassinados dentro de sua casa no bairro Conjunto Esperança, no início deste mês. “O Carlo sabia de todas essas histórias porque era muito próximo do iraniano”, informa o superintendente da Polícia Federal no Ceará, Aldair Rocha. Além disso, Carlo era um dos informantes da PF. “Ele tinha contado muita coisa para a gente aqui”, acrescenta.
Ainda conforme a PF, Farhad também mandou matar o comerciante Francisco Cícero Gonçalves de Souza, 38, assassinado dentro da sua pizzaria, no bairro Vila Manoel Sátiro, em junho de 2009. Cícero é apontado como um dos pistoleiros que tentaram assassinar, a mando do próprio iraniano, o funcionário da Receita Federal, em 2008. “Foi queima de arquivo. Provavelmente, ficou uma desavença entre eles”, diz Aldair Rocha.
O superintendente explica que esses foram os casos já concluídos na investigação. Os outros sete homicídios continuam sendo apurados. Uma das mortes é a do empresário de telefonia móvel e produtos importados, Francisco Francélio Holanda Filho, 44, vítima de um crime de pistolagem em julho último.
“O que deixa a gente bastante preocupado é a forma de atuar desse grupo. Qualquer interferência, seja ela qual for, o iraniano manda executar. Pelo que a gente viu ele não tem limites. A pessoa que interferir no seu caminho está correndo riscos”, comenta o superintendente da Polícia Federal.
E-mais
O iraniano Farhad Marvizi mora há mais de 15 anos em Fortaleza. Ele é casado com uma brasileira e tem um filho.
Todos os crimes de execução apurados pela PF nesse caso têm o mesmo modus operandi. Os bandidos chegam em uma moto e atiram contra as vítimas.
A Polícia Federal não informou quais os outros homicídios que teriam sido cometidos a mando do iraniano porque as investigações ainda estão em andamento.
A PF também não informou por que Francélio Holanda teria sido uma das vítimas.
Durante a coletiva, a PF também não informou o nome das outras pessoas presas ontem.
O simples fato de ser concorrente no ramo pode ser motivo para que o iraniano mande executar, segundo o superintendente Aldair Rocha.
Farhad responde a outros processos
Esta não é a primeira vez que o iraniano Farhad Marviz, 46, é preso em Fortaleza. Em março do ano passado, o empresário foi detido em flagrante acusado de pedofilia. Segundo a Polícia, ele teria abusado sexualmente de duas adolescentes em um apartamento no São Gerardo. Menos de um mês depois, o iraniano voltou a ser detido, dessa vez na sede da PF.
Na época, os policiais federais haviam encontrado cerca de três toneladas de mercadorias de descaminho (importação sem o pagamento de impostos) dentro de um dos imóveis do empresário. O material estava escondido no quarto e na sala de um apartamento de luxo no Meireles. Numa avaliação inicial, os peritos da PF constataram que a maior parte da mercadoria apreendida foi adquirida em outros países.
Nova apreensão
Com a apreensão de mais mercadorias durante a operação de ontem, o iraniano deve responder a mais um processo por descaminho e contrabando. Segundo o superintendente substituto da Receita Federal no Ceará, Marcellus Alves, além de usar laranjas, o empresário teria aberto empresas em nomes de pessoas fictícias. O esquema ainda está sendo investigado.
“O foco dessa investigação da PF era tentar esclarecer a tentativa de homicídio contra o auditor da Receita Federal. A gente constatou outros crimes, mas vamos deixar para aprofundar isso mais lá pra frente”, comenta o superintendente da PF no Ceará, Aldair Rocha.
“Há fortes indícios de irregularidades aduaneiras, ou seja, contrabando ou descaminho”, acrescenta Marcellus. Ontem, foram apreendidas 160 caixas com produtos eletroeletrônicos. O valor estimado das mercadorias é de cerca de R$ 5 milhões.
Mesmo respondendo a processos na Justiça, o iraniano estava solto. Ontem, ele foi preso em sua casa.
A Operação Canal Vermelho
O nome da operação é uma referência ao Canal Vermelho, um tipo de sinal usado na Alfândega. Se o sinal for acionado nessa cor, a mercadoria só é liberada após uma análise completa, que inclui a realização do exame documental e da verificação da mercadoria.
Para desvendar o caso da tentativa de assassinato contra o auditor da Receita Federal, a Polícia Federal precisou fazer uma análise completa da situação, o que levou os policiais a desvendar outros crimes. Daí a referência aosinal vermelho.
A operação Canal Vermelho previa o cumprimento de 10 mandados de prisão preventiva e 11 de prisão temporária, totalizando 21 mandados. Mas somente 11 foram cumpridos até o fim da tardede ontem.
Segundo a Polícia Federal, as outras pessoas presas - cujos nomes não foram divulgados - são, na sua maioria, laranjas usados pela organização criminosa.
A Receita Federal auxiliou na operação de ontem com a participação de 30 agentes do órgão.
O iraniano deve responder pelos crimes de homicídio, descaminho e contrabando. Esse último é a prática ilegal do transporte e comercialização de mercadorias.
Fonte: Jornal O Povo
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