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      Vice-presidente da DS/CE publica artigo no jornal O Povo

      24, setembro, 2018
      Vice-presidente da DS/CE publica artigo no jornal O Povo

      O vice-presidente da DS/CE, Marcelo Lettieri, publicou, nesta segunda (24) o artigo "A economia das eleições: dívida e castigo". Confira na íntegra abaixo ou no link: https://goo.gl/gU7yjk

      A economia das eleições: dívida e castigo

      Na campanha para a Casa Branca em 1992, James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, tornou famosa uma frase que se transformou em mantra de campanhas presidenciais: "É a economia, estúpido". Em síntese, dizia que bons resultados econômicos em ano eleitoral tornavam mais provável a reeleição do presidente em exercício (ou do seu partido).

      Atualmente, a grande complexidade das interações entre economia e política modificou a interpretação automática das vinculações entre resultados eleitorais e econômicos; no entanto, isso não impede uma análise retrospectiva.

      Vejamos, por exemplo, se o endividamento público condiciona a performance eleitoral. Verifiquemos o factual de três presidentes e um vice. Quem se endividou em relação ao PIB parece que se deu mal ao final.

      FHC (1995-2002): a Dívida Líquida Consolidada do Setor Público (DLCSP) elevou-se com a complacência e aval do jornalismo financeiro e de economistas do mercado. Mais que dobrou. Saiu de 29,8% para 59,9% do PIB. Seu partido perdeu as eleições em 2002.

      Lula (2003-2010): a DLCSP diminuiu de 59,9% para 37,9% do PIB. Queda de quase um terço. Elegeu sua sucessora.

      Dilma (2011-2016): a DLCSP aumentou de 38% para 39,2% do PIB. Um crescimento, em cinco anos e cinco meses, de 1,2 pontos percentuais. Sofreu impeachment, mas não por isso.

      Temer (2016-2018): a DLCSP disparou a 52% do PIB em junho de 2018. Alta de 1/3 em 24 meses. Fez crescer quase trinta vezes a taxa de aceleração do endividamento em relação à Dilma. Espantoso. Seu candidato não decola.

      Quanto a FHC e Lula, a diferença da DLCSP é abissal. Tal contraste não deixa de causar perplexidade, porque FHC e Lula foram igualmente pródigos em saciar a voracidade dos rentistas com juros reais suculentos. E, desde o Plano Real, o Brasil compromete um volume elevado de sua arrecadação com o pagamento de juros da dívida pública. Uma tragédia fiscal.

      Em "Crime e Castigo", uma das obras essenciais da literatura ocidental, Raskolnikóv justifica seu crime por meio de uma teoria que defende o direito à violação das leis em nome de uma boa causa humanitária, mas se arrepende. Seria bom que os defensores do rentismo no Brasil se inspirassem em Raskolnikóv e se arrependessem. Quem sabe, assim, seus candidatos tivessem mais chances nas eleições?